Strawberry Fields

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

I


Era um dia abafado de Março. Tudo havia nascido de forma exagerada, dramática, mal falada, nesse dia. Tudo havia sido feito, sido gerado pela noite de caos e amor, e cinzas e vinho e garoa às 2 da madrugada. Estávamos naquele gramado extenso de bitucas de cigarro e fãns ansiosos. Eu não ansiava nada do show, nada do carinha estranho de banda inglesa, nada da banda nacional de versos internos. Eu estava ali pela coisa toda e não por um minuto só. Havia música alta antes de tudo; antes que eu me agarrasse em mim mesma e quisesse fugir. Do tipo que nunca fui; de querer fingir. Tocava Tecnicolor. Arnaldo Baptista parecia me fazer companhia naquele mundaréu de doentes emocionais. Entreguei-me de cara. Para doer devagarzinho. Que pecado!

Já fazem alguns meses. Mas eu não me esqueci do cheiro do gramado molhado de garoa às 2 da madrugada, nem do cigarro que não parava de queimar minha boca. E como a Noh Gomes disse: ‘quero td pra fora, tudo cuspido, tudo na cara.’ Então agora tenho o tempo de oito meses para descrever a noite de show em gramado cheio de cheiro de olhos de cinzas. Meu coração quase fez-se de cinzas também, é verdade. Mas sobrevivi com tal alma entre as mãos. Eu já disse antes, não é? Meu corpo é alma e talvez por isso doa devezemquando não ser só pele. Ter entre os poros imensidão. E mesmo que isso pareça orgulho. Tanto faz. Eu vou contar tudo sobre aquele dia. Pra ver se assim a ressaca passa. 2010 já vai chegar e 2009 merece a fama de tudo o que aconteceu e cuspido e comido no prato chique da sala de jantar.






23 de Março de 2009;


Se a dor tem a cor daqueles olhos.
Eu choro litros desde que entrei no banho, às 4 da manhã de uma segunda feira. Simplesmente porque acabou pela primeira última vez. Acabou pela milésima vez e não cabe mais sorriso num sentimento que revira tristemente.
Se a dor tem a cor daqueles olhos, que o sangue quente e tinto manche o que resta. Que o que sobra seja posto no fogo das minhas mãos. Para esfumaçar em cinzas.

Será que se você me visse chorando e tivesse o controle das minhas lágrimas escolheria me libertar?


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Noite Branca II

Eu me pegava no colo para calar a boca. Porque, sim, às vezes a gente tem que guardar o que pensa debaixo da língua, às vezes finge que não pensa nada.
E eu pensava com a intensidade de ondas altas quando batem na praia e querem descansar. Me abraçava para acolher aquilo em mim, aquele lugar, aquele movimento de gente se escondendo debaixo da língua. Olhava para baixo para encontrar sinais que me levassem pra casa. Mas a distância é não precisar esperar para quem já foi embora.
Eu olhava para as luzes foscas que vinham de trás do palco e inventava maneiras de beber a vodca sem chorar e pedir que me levassem também. Continuava na estrutura de entorpecer corpo para parar de engolir gosto. Olhava para a vodca com olhares sãos; ‘me deixa beber na sua casa e depois dormir com você.’



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domingo, 22 de novembro de 2009

Olhos Armados



Eu estou com muito, muito medo de me desapontar com minhas palavras e com meu silêncio. Tremendo a sensação imatura de arrependimento que nem aconteceu. Chorando a seco ansiedade de corpo mordido. Sofrendo uma dor que não tem lugar nem permissão para existir. Que teimosamente invade meu sono e minhas atitudes de perda. Minhas atitudes de auto sabotagem e perda de equilíbrio com meu salto.
É domingo e eu choro uma ausência ridícula de certeza. Convicção - da minha parte - oscilando em luzes gastas de pisca-pisca. Aqui está minha dor e eu estou olhando-a como uma mãe que acaba de parir um risco impossível de ser deixado. Meu corpo já está aberto de sereno da madrugada e mãos espalhadas pelo corpo. Mas ainda assim tenho medo de acontecer e de não acontecer. De olhar para isto com um buraco no peito, de ser arrancada de mim mesma. Nas minhas atitudes de perda.
Mas encaro a verdade do que foi proposto por corpo e tesão avermelhado. Meu medo não é ser descoberta em círculos de pele e boca, mas de ser aberta com o tal rasgo para expor minhas experiências como troca e venda de um produto inconfiável. E o que eu sei, de tão profunda e desmascarada é que não há como voltar atrás com meu instinto de me entregar ao perigo. Entregar meu corpo como fonte de proposta para solucionar engarrafamento de emoções, acúmulos de inspirações, libertações de eu mesma para eu mesma.
Meu medo é arrebentar a cara num beijo de leve, mesmo que seja a coisa mais doce e, principalmente, a mais rápida. Me sinto a pena da asa de um anjo. Mas já voei o percurso do ínicio e não posso repetir a espessura do vento agora.
Agora eu já estou na roda, já fui aberta de todas as formas e não quero me afundar em mim mesma para não mostrar sentir. Que sentido seja falha, vergonha, vulnerabilidade. Pra puta que pariu com tantas regras de intensidades e texturas de eixo. É isso o que eu sou desde o começo e continuo lutando na batalha dos meus erros para não tentar acertar. Esfrego meu rosto na curva da paixão e por mais estranho que isso possa parecer, não saio do carro para evitar a colisão do ônibus que eu nem sei mais se vem. Se chega, se realmente chega em mim e me faz parar de falar.
Mas por enquanto, ainda com medo, armo meus olhos para aceitar realidade sem morrer de respiração intalada.




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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Itinerário.



Não são textos de amores quebrados após uma queda da escada. Não são idéias cuspidas no espelho do meu quarto. Não são histórias postas em porta-retratos. Não são mãos acenando do ônibus na curva triste do esperar. Não são vícios descobertos, drogas alternativas, beijo no papel.
Sou eu, mais uma vez, e montanhas altíssimas de coisas que vejo desabrochar; sentimentos endurecidos para entalar na garganta, gestos de quem não consegue, não sabe, não quer demonstrar palpitações ou olhos vermelhos.
O mundo inteiro vai se embolando e eu só penso em assistir The Godfather antes de dormir. Meu desejo de voz vai virando sussurro na boca daqueles que amo. Se transforma em ‘a gente se vê’ por pura inconstância. Mentira. ‘Não vejo a hora de te ver de novo. Aliás, nem vai embora.’ Olho para eu mesma e me vejo contando estas letras para dentro de mim. Entrego o momento de ‘esperava que você dissesse’. E sou presenteada com aquele esburacado: ‘A gente se vê’.
E o que acontece é que eu estou falando de ter tudo embolado, vontades mordiscadas, verdades mortas a pauladas. Para ver alguém me dizer porque a gente escolhe a curva do ônibus do adeus. Não que isso seja um conto de amor e sexo no sofá, lábios molhados com a espuma do capuccino, eram três da tarde quando o vi pela última vez. Mas não. Não falo de esperar alguém voltar, de me despir para ver voltar, de dizer besteiras para enxergar volta e sinal naquelas notas sujas dentro da carteira. E se você me responder com um podre: ‘eu queria que fosse diferente’. Te direi as maluquices pelas quais me julga por prazer e vaidade. Te revelarei as armadilhas feitas para te pegar no pulo pulando para longe de mim, dos meus lábios de café e das 3 da tarde antes da rodoviária. Sim, eu terei que mostrar tudo mesmo sabendo que cortes e curativos e cortes não te fazem feliz. Abrirei os olhos para você, às 5 da tarde, porque parece que ainda dá tempo de não te ver entortar a cara para responder um podre: ‘já estava ficando tarde para te entender.’
Putamente entristecida, tremendo as mãos em pensar que não estou escrevendo um conto de ‘trepar com você sem sentir saudade depois.’ Eu viraria para o lado e discaria o número de outro se isso fosse possível, sem tuas mãos tão próximas e prontas para me fazer querer ficar. Desligaria percebendo o quanto teu corpo todo, tua alma toda, tua mente toda não estava, nunca esteve contentemente determinada a me fazer ficar com um tapa na cara de: ‘... Aliás, nem vai embora’. Só para me ver tremer também os lábios, como quando a gente vê uma menina chorar. E, pelo amor de deus, chorar de felicidade é não ligar para que cara você está e se fica bonita num ângulo contra luz. E debaixo dos lençóis eu diria que escrevo sobre tudo isso que você sabe que eu escrevo. E eu te daria um coração fora da porra de um copo sem álcool para entorpecer. E pra puta que pariu com tanto medo e tanto isso que me faz balbuciar letrinhas de afeto, frases boas diálogos sem finais. Sou mais o tudo pra fora. Como você mesmo citou: ‘mil maneiras de falar sobre a mesma coisa.’ Está aqui minha nova maneira de olhar no relógio; 16:45. O teu ônibus vai chegar com uma frase podre para nos matar ou com uma maluquice que eu adoraria repetir embaixo dos meus receios, embaixo das tuas olheiras de sono que atrasou para dar tempo de me ver. E eu estou aqui. Parindo coragens para te ver abandonar a escolha fácil do adeus.




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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Desbravar.



Já falei sobre as marcas, sobre as mordidas, sobre as saudades e nostalgias. Já detalhei cada tombo, cada indecência mal compreendida. Já me fiz de espelho para outras conquistas. Ilusão parou na metade, amor platônico deixou de existir, meu corpo não treme mais com silêncios; sei a hora da partida.
Tenho esse discernimento idiota para não me jogar de cabeça, tranco o portão, tenho cuidado ao sair, analiso sorrisos e gritos, mastigo a emoção e sentir; guardo para mim e devoro sozinha. Egoísmo? Medo.
Já me disse mais mulher que o receio, mas ainda assim não é o suficiente. Espalho tudo em idéias, tento colocar em mãos e perigos; mas temo o passo e adio o pulo. Estou voando alto comigo, estou me embebedando de motivos e sonhos; individuais. Gozando o prazer da realidade concreta. Mentindo o peito de não sentir mais do que isto. Eu estou montando um castelo bonito demais para ser habitado.
Não reconheço o desamor na calçada; ele não é o mesmo. Não aceno para um saudosismo compartilhado; fico comigo. Não reaproveito do gosto já tão experimentado, não vômito anseios de tocar o chão. Estou implodindo sensualmente comigo.
Não é maldade, é imensidão que eu não sei onde colocar. Nunca soube, nunca entendi, então parei de brincar e deixei num cantinho escuro de mim. Parte profunda de humanização inquieta. Minha, rodeando meu umbigo de segurança pessoal. Enquanto xingo minhas maneiras educadas de conversar sobre isso. Também já falei que a vontade é berrar, mas eu continuo vendo, olhando com atenção sem dizer nada, exteriormente.
Você consegue perceber o sofrimento superado, a iluminosa percepção de tudo, a falta de brigar por passionalidade? Eu nem escuto ruído de querer, de precisar sentir bem perto. Eu tenho o que sou e fico calma comigo. Um blá, blá, blá que parece conversa na fila de banco de gente adulta. Logo eu, logo eu que odeio tanto a coisa morna da rotina acomodada. Olho para mim, não to média nem parada, mas me vem uma ânsia de querer ser posta no alto. Não de tesão avermelhado no colo, não de desejo explorado, não de carência de olhar. É tão e só de sentir. Ver acontecer dentro de dentro do peito. Sentir explodir com todos os barulhos de mundo e de intensidade no amplificador. Sentir até o final de quando o dia é êxtase de coisas entrelaçadas, formando um caminho para libertar intensidade sem medo. Respirar fundo sem medo de tropeçar nas palavras e perder o fôlego. Gargalhar sem temer o som da boca devorar. Abrir os braços de abraço para o que eu jurei um dia nunca mais ser possível. Desbravar lutas confusas, complicar a vida com reviravoltas sobre a cama. Fora dela ser um lençol escorrendo pela pele sem temer cair. Porque o chão é o mesmo chão de sempre. Duro, frio, sujo. Seguro para ir além do corpo e atingir o coração.

[Depois disso chorar e ver que ta tudo bem.]


18 de Novembro de 2008.
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Segredo Tragado




Os pés dele firmando meu quadril naquele sofá que nem é dele, que nem é meu. É de quem não pode nos ver juntos, é de quem observa e finge que não ve os joelhos fortes dele me compactando. Eu suando de querer deitar a cabeça para trás, tremendo de tentar parar de sorrir malícia, sussurrando corpo em sua boca. Sem ninguém nos ver.
É escondido sim, mas não existe porta, teto, parede para esconder. A gente fica descoberto e eu descubro minha incapacidade de controlar vontade. Sai tudo pelo olhar no jeito como ele me olha dar passinhos para trás, como quem quer tentar dizer que está negando, que está com medo. Mas ele segue, enlaça e segura meus passos, falando mais alto do que eu, que é uma puta besteira se enganar. Prende meu pescoço no ombro e eu não corro mais nem que me façam parar. Toca campanhia, telefone, guitarra, e eu não quero nem saber se é manhã ou noite e se vão bloquear a passagem da vontade dele pra minha. Ele me coloca no colo e o sofá que nem é nosso perde o lugar, é inexistente. Receio é bexiga murcha e eu quero é que levem embora pezinhos de dúvida, quando são as coxas dele que me juntam num espaço só.
Toca Pink Floyd pela quinta vez e ninguém levanta para mudar. Tá bom assim e eu já consigo virar a cabeça com a boca pro alto sem parar de cantar. 'Have a cigar' faz todo o sentido porque eu estou queimando de ponta a ponta. Sim, entre dois dedos de segurar sem deixar cair, esfriar, escapar. Fumaça de perigo saindo do isqueiro. Meu pavio deliciosamente iluminando o dia inteiro de intensa tempestade. Olhar de saber que está acontecendo sem precisar ver.
Os pés dele firmando os meus que nem andam mais para trás. Estou abraçada na força do ombro, enlaçada nas curvas, queimando de ponta a ponta, fumaça longa e viciante.
Ruídos. Nem é minha casa, mas já conheço o gosto da parede. Alguém chega; não somos descobertos.



segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Baby, Baby. Há quanto tempo!


'Chegue perto de mim. Não precisa falar. Acenda o meu cigarro, não queira me agradar. Queira, queira.
Não decida, nem pense. Não negue, nem se ofereça. Não queira se guardar. Não queira se mostrar.
Queira, queira. Escute esta canção ou qualquer bobagem. Ouça o coração, amor.' - Qualquer bobagem, Os Mutantes.


Eu nunca mais me senti triste. Depois aquele dia que não foi um dia só e sim uma bagunça de dias afiados como pregos enferrujados no meu pé. Um conjunto de olhares finais, palavras saindo pelo canto dos lábios, o barulho inconfundível do zíper nas malas, a cor opaca da tarde refletindo em minha pele, separações a tisouradas, serpentes envolvendo corações. E me desculpe o clichê, mas coração se parte também de amor. De amor acumulado, dobrado, engomado, repartido com uma linha fina e quase invisível chamada tempo. Coloca o antes na calçada e o depois na rua. O que um dia era paciência em esperar, após um corte lento à navalha, é só um 'me liga quando chegar'; que a gente diz para fingir para si mesmo que não liga pra dor. Pro gemido rouco que vem lá do fundo enquanto a gente sorri ao fechar a porta.

Uma, duas, três, quatro separações destas. Mãe, pai, irmão, avô, casa, quintal, mundo beijo, paciência, inocência e, por fim, tristeza daquelas de revirar na cama. Acabou. Tudo isso se separou de mim. Depois daqueles dias, que foram largos, que foram gordos que foram altos, chorar nunca mais teve ruído, soluçar nunca mais fez sentido, distância nunca mais precisou ser explicada. Foi como
levantar, com bracinhos insistentes, uma pedra imensa de cima do buraco. Levantar com a língua, com aquele esforço de sacrifício para ver se o buraco sumia se a gente o encarasse. E depois de tudo alí, visível, que graça tinha achar que uma menina de 1 e 58 de altura poderia deitar em cima do vazio e dizer 'já passou. já passou. não tem nada aqui.' ?
Então medo de trovão no meio da noite deixou de ser assustador, dirigir deixou de ser mistério, loucura deixou de ser ameaça, vontade deixou de ser perigo e, claro, independência deixou de ser idade e se fez urgência.

E eu posso dizer que a única coisa que eu ainda sinto igual é essa urgência. Não dá tempo de acontecer porque eu já estou preparada. E, de repente, alguém diz que eu tô tensa, que eu tô em posição de ataque, que eu tô concreta com peito de atitude, que minha cara é de rock'n'roll gritado no horário de pico do metrô. E eu, com um sorriso de 'desculpa, mas as coisas precisam ser assim', invento óculos para esquecer que meus olhos choram. E se eles choram, eu não ouço ruído. Porque eu ando constantemente ocupada com o barulho do vento na casa que eu construí em mim, para me cuidar; o barulho do estalo de porrada debaixo da pele, o choque dos meus nervos esticados; a coisa que me faz ser qualquer coisa, menos rasa. E dá para saber porque, né? Imagina o pulo amarrado, o murro enfiado, palavrões arrotados para dentro, atitudes de força contidas pelo medo em expor minha incapacidade de tapar o vazio daqueles que amo. Imagine isso tudo dentro de mim como um leopardo que pula a saltos olímpicos. Imagine caber tanto barulho abafado como se eu fosse um pote já embaçado. Não dá pra ser leve assim, não dá para ver filminho de amor e ir dormir, não dá para dizer que eu sou uma boneca de olhares fáceis, não dá, simplesmente não dá para sentar e esperar a chuva passar, porque, sim, eu aprendi da pior maneira a correr na queda, sem temer o próprio medo de escorregar na curva.

Uma, duas, três, quatro, cinco, seis, e eu nunca mais me senti triste. Separa, corta, zíper, 'me liga quando chegar', muda de casa, muda de lugar no jeito de olhar, cresce em urgência, firma o passo de pulo interno, goze a própria essência. E nunca mais eu deixei a cama para alguém arrumar ou a tristeza pra alguém acalentar. Eu sempre olho na cara, eu mantenho a atitude no corpo, eu cuido da independência da alma, eu crio minha própria raíz, respeito meu 1 e 58 que não tapa buraco imenso de tristeza conjunta; mostro minhas veias de menina que não rola na cama. E não deixo de arrepiar ao ser tocada ou partida. Uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete. É que eu nunca mais fui triste para servir de pedra de tapa vazio.








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domingo, 15 de novembro de 2009

Cortázar e Minha-imaginação-abre-qualquer-segredo-no-mundo






Cortázar me chamou da chuva. Fiz cu doce, estava insuportavelmente limpinha.

Ele dizia deitado no sofá enquanto eu coava café: você precisa sair da zona de conforto. Essa zona é uma porra que te fode a mente, por trás, com violência, sem consentimento.

Desse dia em diante me sujo com toda sorte de gente pelas esquinas do mundo. Demoli a casa dos meus pais, matei a TV a pauladas, rasguei meu Registro Geral, nem sei mais qual minha nacionalidade e se me perguntam: natural de onde? respondo: Heráclito. Eu gosto da chuva.

Vivo de reciclar: sapatos, livros, camas, hábitos...

Minha imaginação abre qualquer segredo no mundo.

trago na carteira um bilhete dele que diz assim:

-, ninguém enriquece com a literatura se ao mesmo tempo não for capaz de chupar um pêssego aproveitando a mão livre para levá-lo a boca, se não fizer amor entre duas páginas, se não se debruçar na janela para saber que durante o último mês cinqüenta crianças morreram queimadas na região se Saigon, e que em Biafra os nigerianos ajudados pelo nobilíssimo Reino Unido degolaram todos os pacientes de um hospital; será preciso repetir, professor Papalino Zeta, que a literatura não é um terreno privilegiado no sentido escapista que tanto convém e adorna? Biafra e o erotismo, a chuva de napalm e os Jogos Venezianos de Lutoslawski: a poesia continua sendo a melhor possibilidade humana de realizar um encontro que ninguém descreveu melhor que Lautréamont e que pode fazer do homem o laboratório central de onde algum dia sairá o definitivamente humano, a menos que antes disso todos nós tenhamos ido para a casa do caralho.(NOTÍCIAS DO MÊS DE MAIO)


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texto do blog 'Dedos não Brocham'

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Give me fuel, give me fire




'Metallica é cru e me come sem garfos. Sim, isso que eu vivo é whisky e me enche a cara. A única regra é desdobrar as mágoas do corpo. Matem as tristezas enjauladas, libertem o que foi enterrado em mim!
Por dentro sou mais mulher que a fera agora solta. Me olhando na cara, com a cara em frente a minha boca, sou o que não pode se esconder atrás de uma garrafa de vinho. O rótulo desgruda e o vidro corta o chão ao ser tocado. Mas eu, eu recebo, acolho, agarro, e quem é que me desvia do olhar revoltado? Tão mais humana, tão mais animal, tão mais com veias, sangue e pintas pelo corpo. Tudo e menos nada. A metade me sobe pelas pernas, como eu disse. E eu faço um rasgo para caber sentir de maneira inteira. Mais carne que sal, mais fogo na churrasqueira. E eu sei.
E se for falar que eu tô errada, primeiro saiba que já subi e desci todas as paredes sujas da cidade. Se for dizer que me ama, coloque minha raiva no colo e faça ninar. Se quer que eu confie, aqueça a raíz da minha barriga sem ter que me deixar. Aflorar não é fácil como cair de todas aquelas escadas por onde nunca escapei. Eu encarei cada uma daquelas ruas, e buracos, e lixeiras, e rímel borrado no lençol branco. E eu já sei. Eu já sei, meu querido, como é arder no céu, sem a leveza de levantar andando. Eu sempre corri. E assim cheguei até aqui.
Dentro, me olhando pelos olhos, eu sou mais mulher que medo. E estou arriscando outra vez. Porque gosto.
E esse é o meu fogo.




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domingo, 8 de novembro de 2009

Porcelana Quebrada




Como um carro que nunca chega ao limite da velocidade máxima, cobrei-me respostas que não viriam de jeito nenhum. E eu sei que é assim, mas não evito a lembrança. Chovendo São Paulo sem madrugada de ressaca; whiskey in the jair.
E o fato, o fato é que agora eu não estou metida num 'conto explosivo de amor bandido.' Mas alguma coisa, alguma coisa totalmente minha, me faz perguntar se o que eu estava fazendo era lutar sem armaduras. Se o fogo nas minhas mãos também queimava quem me tocava. Um vício de cair nos braços de um casaco vazio. Contradições de minha parte. Que eu não me arrependo. Só me digo, sem meias palavras, que me excedi para perder o freio da espera. Pois se algum dia, a minha intenção era ser a bonequinha de luxo da estante empueirada, mudei de idéia ao cair de cima. E nunca mais quis me imortalizar na figura da distância. Por isso cheguei perto. E cheguei tão perto que assustei.
O Amor Bandido não foi morto, nem detido, nem mesmo algemado. Ele continua solto por aí, cometendo as loucuras. Mas desta vez calado.


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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

carne sobre carne



Se você quer, se tenta representar tuas ambições através de sedas e coxas fotografadas como numa exposição de carnes podres, saiba, assim não dá para te ver andando ao meu lado. Pois meu corpo todo, minha alma inteira sussurra com os olhos fechados, com os lábios que entre abertos respiram estes ares do mundo.
Saiba, eu ouço uns versos de Bossa pela menhã, na minha pequena máquina de escrever que funciona como a vitrola e minhas frases que machucam e curam. Prefiro caminhar assim.
Não há porque ser - naquele papinho - metal sobre metal. Não há como ser uma criança, se eu não brinco mais com corações.



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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Barba de irlandês.




Aquele cara me agarrava com os dedos.
Metida num vestido preto como quem cantava em silêncio canções para serem despidas. Música de pegação, letra de cama bagunçada e cabelo comprido. Sei pois me olhava no espelho dos olhos daquele louco, rebelde de sociedade alternativa. Me cobria com as costas por cima, pernas em volta, cheiro de nuca amanhecida. O ritmo era de briga quando se faz as pazes ao som da madrugada; qualquer coisa um pouco no escuro, um pouco escondida que a gente só finge que esconde. Faz atrás da porta pela risada tampada em boca mordida. Dedos de poder na guitarra, cintura e subida. Sei por aquele segundo de abraço na barriga, quando a mente cala e o corpo grita.
Barba dura de irlandês no meu abismo.



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terça-feira, 3 de novembro de 2009

No piano das humanidades





"She makes mistakes.
She's a Mistake. A beatiful and crazy mistake."





Não me importo com a garrafa de whisky vazia, com meus seios fartos de palavras repetidas, com a utopia que sintetiza cada deslize, com os erros e a falta de medo de errar. Não sei dizer mais do que isso. Explicar outra vez a mesma coisa como se me colocasse noutro lugar. Espaço estúpido de mente e racionalização atarefada de não pensar. Como se isso realmente me fizesse parar de sentir, de analisar, de parir aquele calafrio de intensidade. Usurpando acertos para sorrir como se a minha arte fosse ser bonitinha e acertadinha. Não desviar o olhar dos olhos da imensidão, não me embebedar de discos que me fazem levantar, não chorar a vontade que ainda não passou; que continua latejante em mim.
Não estou preocupada com o carro batido, com a saudade ardida de algo que nem passou, com o problema sem solução, com o estômago que dói sem causa. Não estou me importando com porra nenhuma que venha num copinho para beber de 6 em 6 horas. Não sou remédio nem boca de quem é medicado. Me arranho por dentro numa coreografia de milhas e milhas de improvisação. E falo a verdade.
Não me preocupo com o cuidado que vem do céu quando a gente tá no inferno e sabe que é difente. Que é mais quente que esperar. Diferente de quem não tem voz, diferente de quem não tem coragem pra dar a cara pro mundo olhar, diferente de quem cai e depois pisa em cima; diferente como se o mundo estivesse girando e girando sem você. Você, como eu, que não liga pra regra de acertar em círculos, abre os braços pro tamanho infindável de não caber dentro do que você mesma sente. E diz com a cara aberta que sim. Você, maravilhosamente, erra.


































E assim eu comprei passagem às 9:00 da noite pra uma cidade distante. Simplesmente paguei pela que pudesse ir no ônibus mais vazio. Fui com a roupa do corpo e um dinheiro pra me virar. Sem dó, sem remorso, sem mastigar a situação. Me enfiei naquilo que sangrava tanto quanto eu, porque precisava de alguma realidade mais fantástica do que a que eu via com os olhos de lágrimas em palavras que saíam dos outros. Nada e ninguém poderia entender ou sarar [nesse ponto]. Do ponto em que chegou e que me colocou tão em baixo, pronta para estar em cima, enxergando tudo com a vista que ninguém mais tem. Prendendo o choro e sendo mais forte do que ontem. Mais forte do que tudo que já vi. Isolada, sozinha, errada. E agora, é apenas esse ônibus e

eu.





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sábado, 31 de outubro de 2009

Querer não tem forma. É a gente que transforma em mundo pra tentar engolir.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Força e Convicção






Então vem, me pega pelo cabelo. Aproveita essa hora, esse lugar, isso tudo que faz de você cor pra encaixar, derreter, ferver meu colo de quem quer cuidado. De quem anda sobre facas, pregos e arames farpados, mas quer cuidado. Quer te ouvir falar, te ouvir falar, te ouvir falar. Mesmo que isso não saia de um beijo e que não vá para um beijo. É coisa de quem quer te ouvir ajoelhar para perder o orgulho de não dizer. Ter vontade, ter força, ter jeito pra me fazer sentar na tua frente e te ouvir. Te ouvir murmurar, te ouvir respirar, te ouvir me ver. Te olhar para saber que é você. Pra reconhecer letra, cheiro e voz. Cada coisa tua que me faz estar em pé na tua frente com a nuca na mão. Aproveito essa hora, esse lugar, isso que faz de mim mulher para encaixar, derreter, ferver em teu colo de quem tem cuidado até ao machucar. Me pega pelo cabelo e me faz te ouvir.




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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Martini com Fogo






Martini com fogo na boca. Acordar com você impregnado no meu corpo como se os teus olhos de cinzas também estivessem queimando. Colocando a língua pra fora para ver se te encontro, se te acho debaixo de mim, entre os meus lábios e o abismo no qual a gente se joga. E costuma doer mais do que te ver passar por mim, atravessando minhas entranhas, rasgando minhas ânsias, para chacoalhar a cabeça e te perder ao abrir os olhos.
Cheirar tuas pintas de menino que chega atrasado e se perde em mim, lamber teu instinto de proteção quebrado, procurar caminho para veias e deslizes de poros. Me procurar nas tuas raízes de órfão por opção, de mente fria como paredes brancas, de silêncios em dedos com bolhas. Falta de você no cinzeiro ao lado da minha cama. Falta de você nos meus sapatos mais altos. Falta de você nos meus vestidos de festa, nas minhas fendas, nos meus decotes. Falta de você quando, baixinho, me pedem para parar e não é você implicando meu jeito. Ausência da tua claridade nos meus olhos escuros. Zerada. Te procuro. Te procuro sem mentira para fingir que te tenho na cama. Que me tem entre as suas pernas, que me vê no meio das tuas neblinas de olhares frios. Montanha de distância em nossos corpos. Essa é a verdade. Inflexível verdade de garras quebradas e banho que não te encontra no meu chuveiro. Não te acha banhado no meu seio de sentir saudade sem a mínima preocupação em ser blasé.
Vestígio de tua pele na minha bolsa, nos meus casacos, nas minhas noites de whisky e pouco caso. Verdade de não te achar debaixo da mesa, de não te arrebentar com a minha própria boca. Então pega o cigarro e me acende. Mas você não tá aqui pra dizer que só espera a fumaça entrar.
Não te vejo nem em cima e nem em baixo. Sumido, como estupidamente gosta de se nomear, prefiro nem comentar. Limpinho. Certinho. Camisa de botão até a garganta pra calar a vontade que tem de mim também. Você num ônibus com fios de evasão nos ouvidos para não saber que eu te chamo em algum lugar. São 8 da manhã e aquele azul de Dezembro já começa a te aumentar dentro da minha saia. E, mesmo assim, eu nem sei onde você está além da rua de postes e pestes na sua mente. Sozinho mas livre de texturas e tonalidades tóxicas de boca pra te comer. Martini e fogo no peito pra te esquecer.




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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O fantástico realismo da fantasia (ou CRÔNICA DE UM INCÊNDIO NO UNIVERSO PARALELO)


Texto escrito por Junkie Careta.





A esfinge ao contrário


Ali estava aquele homem prostrado diante daquela tela, olhando para ela como quem esperava um entorpecente, uma morfina para calar alguma dor de algum vazio que ele carregava. Ela era uma espécie de bar woman de versos, Ele bebera do seu on the rocks de letras e gostava da sensação da embriaguêz.Ele sempre voltava para bebê-la, fatiada em linhas. Ela costumava se despedaçar e despir-se escandalosa e generosamente para quem quer que quisesse lê-la. De suas letras brotavam, seda, lama, sofisticação, venenos doces, antídotos,pin-ups santíssimas, freiras obscenas e luxúria, muita luxúria. Ela tinha lascívia por viver.

Ela era uma alma caridosa, dava a todos que tivessem fome com o saciar-se da sua visão de boneca-de-louça, seus olhos transbordantes de doçura, sonhos e sexo desmedido. Ela era uma esfinge ao contrário, sempre a dizer: “devora-me ou decifro-te”. Ele,esperava sua súbita aparição branca, trazendo notícias do seu universo paralelo.


Ela havia lhe confessado que o panaca por quem ela se encharcava, depois de inundá-la, arranhando suas costas em uma parede de um banheiro e, cujo momento ela esperou como uma noiva pura e tonta, lhe confessou que não sabia o que sentia, logo naquele dia, depois que ela escolheu o altar de um banheiro para a cerimônia de consumação de serem uma só carne, um só corpo, e se deu para ele em cerimônia pagã e santa.


Por que ele não penetrou nela a noite inteira, esfregando as suas costas também em tetos, chãos, camas, lençóis? Por que não rasgou as suas costas com os dentes enquanto a possuía com a fome de um tigre? Como conseguiu ter tão pouca fome assim diante daquele banquete de iguarias?


II

Birdcage


Ele havia colocado muitas iscas espalhadas na gaiola multicor. Sabia que ela era um pássaro rebelde. Encheu-o de músicas, cheiros, quadros raros e buquês de letras, suas flores prediletas. Sabia que ela tinha uma fome voluptuosa de tudo que fosse liberdade e que logo apareceria.Suspeitava que seus quadris escondiam asas.



III

INCÊNDIOS, ENCHARCAMENTOS E BEBIDAS QUENTES

Poderia-se dizer-se que tudo nela era vermelho. Ela era um inferno de delícias, ela era um incêndio que caminhava. Ela veio com todas as suas fogueiras, suas promessas de banquete de carne branca e tenra. Ela era um jardim vivo de flores do campo rubras e pecaminosas. Mas, era sua boca carmim que mais o hipnotizava, ela era claramente inflamável, de fácil combustão. Invadi-la deveria ser como engatilhar implosões químicas, maremotos de sabor salgado, encharcamentos de seda vermelha e ilhas róseas, se exibindo como penínsulas narcisistas. Possuí-la talvez fosse pisar em campos de morango com visões de céus psicodélicos de diamantes incandescentes e indecentes. Era ouvir canções que se canta quando a alma flutua ou quer alívio. Seria fartar-se de um sarau onde ele seguraria pelas jarras de suas ancas e beberia algum vinho desconhecido de mortais covardes, de bebidas quentes. Ele a beberia a goladas, queimaria sua garganta como um bárbaro faminto e sedento.


IV
O BOTE
Ele fechou os olhos e a viu cuspindo poemas numa folha em branco com a boca ávida por letras e línguas. Entrou, nada falou, lhe disse sem cerimônia:
- Abra suas folhas baby, suas pernas. Hoje eu quero ler esse puro e pornográfico livro do teu ser. Escrever minha boca em cada canto do teu corpo, riscar com meus dentes em tuas costas letras garrafais dizendo : EIS AQUI UMA MULHER DESEJADA!

E sonhou que rasgariam cartilhas de comportamentos, sedas negras, qualquer fio de escarlate que se vestisse, e consumiriam-se no fogo-fátuo e vermelho de tudo. Quebrariam dogmas, tabus, regras, garrafas de vinho, champagnes e martinis.


V

O HOMEM QUE AMOU UM INCÊNDIO

Agora ele só pensava em incêndios.Ali estava ele olhando aquela tela mais uma vez. Ela apareceu, e, depois de um longo silêncio cúmplice, lhe disse que tinha medo, mas, com ele, ela queria que chovesse. Deixou-o imaginar que talvez banhassem na chuva.

De longe a cena era original, estranha e bela. Era um homem abraçado a um incêndio debaixo da chuva torrencial.






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Publico esse texto pela beleza e intensidade de cada palavra e pelo talento do autor. Que merece ser amplamente publicado e lido.

'O ímpeto de crescer e viver intensamente foi tão forte em mim que não consegui resistir a ele. Enfrentei meus sentimentos.
A vida não é racional; é louca. Quero paixão, prazer, barulho, bebedeira, e todo o mal. Quero ouvir música rouca, ver rostos, roçar em corpos, beber um Benedictine ardente. Quero conhecer pessoas perversas, ser íntima delas.
Quero morder a vida, e ser despedaçada por ela. Eu estava esperando. Esta é a hora da expansão, do viver verdadeiro.
Todo o resto foi uma preparação. A verdade é que sou inconstante, com estímulos sensuais em muitas direções.
Fiquei docemente adormecida por algum tempo, e entrei em erupção sem avisar'
- Anais Nïn
'Quando a alma é livre,não tem filho da puta que segure' - Lobão
Para quem me odeia:

Sei que você vive falando de mim por aí sempre que tem oportunidade, e esse tipo de propaganda boca a boca não tem preço. Ainda mais quando é enfática como a sua - todos ficam interessados em conhecer uma pessoa que é assim, tão o oposto de você.

- Fernanda Young